Tenha uma boa noite! Hoje é Terça, dia 15 de Outubro de 2019. Agora são 21:39:47 hs

Redução de agências dos Correios prejudica cidades menores, afirmam debatedores


Pedro França/Agência Senado

Além da demissão em massa dos trabalhadores, o fechamento das agências da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT) vai dificultar o acesso da população dos pequenos municípios a serviços bancários. O alerta foi feito por participantes de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) nesta quinta-feira (17). O debate foi solicitado pelo senador Paulo Paim (PT-RS).

Para a senadora Regina Sousa (PT-PI), o governo está atuando de modo semelhante ao processo de fechamento das agências dos bancos públicos. A filosofia de governo, disse, é governar para os ricos e não se preocupar com a sociedade.

- O governo Temer é demolidor. Vão fechar as agências para quê? Os pequenos municípios vão sofrer as consequências. Essas populações vão ter dificuldades para se locomover para outras cidades. Além disso, o fechamento vai prejudicar a economia dessas cidades. As pessoas que fazem operações bancárias nas agências dos Correios, porque os bancos foram fechados, vão passar a viajar para a cidade grande mais próxima e lá mesmo vão gastar o dinheiro delas – argumentou.

O presidente dos Correios, Carlos Fortner, disse que o processo de fechamento das agências visa garantir a qualidade de atendimento ao cidadão e a modernização da empresa por meio de canais de atendimento mais ágeis.

- Existem distritos de cidades pequenas em que não se justifica a presença da agência. Das quatro agências existentes em Ananindeua, no Pará, por exemplo, uma será fechada, por causa da proximidade com a agência da cidade de Coqueiro. São imóveis alugados. O custo para manter a agência de Ananindeua é de R$ 43 mil; na outra mais próxima é de apenas R$ 27 mil - justificou.

Segundo Fortner, o projeto de restauração dos Correios nasceu de um mapeamento, realizado por uma consultoria em 2016, de exemplos adotados por empresas de correspondência em todo o mundo. O projeto prevê canais de atendimento digital, ponto de coleta, agências móveis, comunitárias e funcionando dentro de comércios.

Funcionários

O secretário geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), José da Silva, reclamou da falta de comunicação da empresa com seus funcionários. Ele acredita que não será possível realocar os 28 mil atendentes comercias para outras atividades dentro da empresa, por isso, afirmou que tende a ter demissão.

- Nos últimos três anos, a população está insatisfeita com os serviços prestados por causa do modelo de gestão. As máquinas dos Correios são os trabalhadores. A gente precisa aumentar a nossa capacidade de entrega em dia. Como podemos fazer isso se, em 2011, tinha 128 mil trabalhadores e havia um deficit de mão de obra. A empresa precisaria de mais 20 mil trabalhadores para manter o nível de qualidade dos serviços. Hoje, a gente conta com apenas apenas 105 mil funcionários – explicou.

Segundo o diretor da Associação Nacional dos Trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos (Anatect), Edilson Nery, a receita da empresa caiu 5%, mas a receita das franquias subiu 8%. Para ele, as medidas para contenção de gastos adotadas pela empresa não mudaram a situação, ao contrário, a população passou a desacreditar na prestação de serviços.

- O que levou as pessoas a apostarem em outras empresas? O cliente não recebe correspondência todos os dias, a entrega é alternada. Hoje, a gente posta uma encomenda sedex e só chega ao destino depois de 20 dias. Os clientes voltam se contratarem mais carteiros. Não é necessário fechar agências – opinou.

Privatização

Anézio Rodrigues, diretor financeiro da Federação Interestadual dos Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), acredita que os Correios vêm sofrendo uma série de manipulação de informações e que isso é reflexo da gestão de pessoas sem vínculo e comprometimento com a empresa.

- Primeiro disseram que o plano de saúde dos trabalhadores estava levando a empresa à falência. Como a empresa sai de um prejuízo de R$ 2 bilhões e agora anuncia um lucro de mais de R$ 600 milhões? Essa informação de que a empresa está tendo um lucro não é para enganar o mercado? A empresa é lucrativa, mas não para ser privatizada. Os trabalhadores estão sendo sacrificados. Modernizar e implantar tecnologia não podem ser sinônimos de segregação e sacrifício do trabalhador. – lamentou.

Reprodução: Agência Senado

Leia mais ...

Diretor e delegado sindical se reúnem em Anápolis para evitar fechamento da AC Jaiara

O diretor sindical Tiago Henrique e o Delegado Sindical Eduardo Pereira, estiveram reunidos, em Anápolis, com o vereador Antônio Gomide (PT)  e com o Superintendente Regional Osmar Caldeira na manhã desta quarta-feira, dia 27 de dezembro, buscando uma solução para o não fechamento da AC Jaiara, previsto para ocorrer no próximo dia 02.

Na ocasião, o superintendente firmou um acordo que suspenderá o fechamento da Agência Jaiara por tempo indeterminado. Além disso, o vereador Antônio Gomide prometeu providenciar um outro imóvel na região da Vila Jaiara, já que o motivo alegado para o fechamento é falta de documentação do imóvel atual.

 

Leia mais ...

Audiência Pública debate fechamento de agências dos Correios em Goiás

Para debater a “Crise” da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e o fechamento de agências dos Correios,  será realizada uma Audiência Pública no dia 03 de maio, às 14h, na Câmara Municipal de Goiânia, organizada pelo vereador Alysson Lima. A audiência ocorrerá no Auditório Carlos Eurico.

No mês de março, os Correios anunciaram o fechamento de 250 agências no país, sendo oito em Goiás: Agência Parque Anhanguera, Agência Portal Shopping, Agência Portal Sul Shopping e Agência Filatélica Goiânia, em Goiânia; Agência Cidade Livre, em Aparecida de Goiânia;  Agência São João e Agência Santo Antônio do Rio Verde, em Catalão; e Agência Santos Dumont, em Itumbiara.

 

Leia mais ...
Assinar este feed RSS