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Funcionários dos Correios pagam pelo prejuízo causado pela má gestão do fundo Postalis, afirmam debatedores

Os funcionários dos Correios estão pagando pelo déficit causado pela má gestão do fundo de pensão Postalis. Essa situação foi apresentada na audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) nesta segunda-feira (6). A iniciativa da reunião foi do senador Paulo Paim (PT-RS).

Segundo o representante da Associação Gaúcha dos Aposentados dos Correios e Telégrafos, Luiz Fernando Silveira Neto, o déficit do Postalis chega a R$ 16 bilhões. E, a seu ver, para cada fatia dessa dívida deve ser tomada uma estratégia diferente.

— Há dinheiro a se recuperar do banco BNY Mellon. A sugestão é que se busque apoio para solucionar o problema junto a Advocacia Geral da União. O Postalis não quer um centavo do Tesouro Nacional. Apenas quer recuperar seu patrimônio sólido que está em mãos de terceiros de forma indevida — afirmou.

Em janeiro deste ano, o Ministério Público Federal (MPF), com o apoio da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e do Postalis, ingressou com ação civil pública cobrando mais de R$ 8 bilhões do banco BNY Mellon em favor do Postalis.

No documento, o MPF pede que o BNY Mellon recompre as cotas de investimento do Postalis pelos mesmos valores informados ao Instituto pelo próprio banco e ressarça os valores relativos às taxas de administração que o Postalis pagou ao banco de forma indevida. A ação solicita ainda indenização por danos morais por considerar que a má gestão do banco no Postalis gera desconfiança e incerteza para os 130 mil participantes do fundo.

Funcionários

Para os participantes da audiência, o fato de, em 2014, os Correios terem suspendido o pagamento da Reserva Técnica sobre Serviços Anteriores (RTSA) contribuiu para o déficit do Postalis. A reserva técnica é referente a um pagamento previdenciário que deixou de ser feito pela empresa estatal naquele ano, onerando assim o próprio Postalis. Segundo o vice-Presidente da Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP), Maurício Lorenzo, essa parcela do déficit está sendo paga pelos funcionários do Correios.

— O que nos preocupa é que o gestor do Postalis usa o verbo no futuro e nós não temos tempo para isso. Corremos contra a situação em que os participantes ativos pagam a mais e os aposentados estão tendo uma redução do seu benefício para cobrir o déficit gerado. Nós somos vítimas de pessoas que realizaram fraudes — declarou.

Intervenção

Em outubro de 2017, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) decretou intervenção no Postalis pelo prazo de 180 dias e, em abril deste ano, prorrogou o prazo pelo mesmo período. De acordo com o interventor do instituição, Walter Parente, um dos objetivos da intervenção é justamente minimizar o custo para os participantes.

— A questão do Postalis é muito complexa. Isso [recuperar o fundo] não se faz de forma atropelada, sob pena de meter os pés pelas mãos. O Postalis é a instituição sobre a qual mais o Ministério Público Federal joga luz. Existem quatro equipes lá trabalhando em prol disso — afirmou.

Para o senador Paulo Paim, o problema enfrentado pelo Postalis é um reflexo da tentativa do governo de privatizar os fundos de pensão.

— Querer privatizar os fundos de pensão vai na mesma linha da privatização da Previdência. As pessoas percebem que não vão se aposentar e começam a investir na poupança ou vão para um fundo de pensão privada — disse Paim.

Reprodução: Agência Senado

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Previc prorroga intervenção no Postalis por seis meses

Portaria, publicada no Diário Oficial, não explicou motivos da renovação


BRASÍLIA — A Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) prorrogou, nesta segunda-feira, a intervenção no fundo de pensão dos funcionários dos Correios, o Postalis, por mais seis meses. No mês passado, O GLOBO antecipou que a renovação havia sido solicitada

Na portaria, publicada no Diário Oficial da União (DOU), a Previc não explica os motivos da ampliação da intervenção no Postalis. Diz apenas que ele é o órgão responsável pela constituição e funcionamento das entidades fechadas de previdência complementar. Fala ainda que compete ao órgão deliberar, mediante proposição da diretoria de Fiscalização e Monitoramento, sobre os regimes especiais de intervenção.

No dia 22 de março, O GLOBO revelou que o interventor nomeado pela Previc para administrar o fundo de pensão dos carteiros, Walter de Carvalho Parente, já havia pedido a renovação da intervenção no Postalis. E que ele também tinha mandado suspender uma ação bilionária que poderia resolver a maior parte dos problemas da instituição.

Parente ordenou aos advogados do fundo nos Estados Unidos que não seguissem adiante com um processo determinado pela diretoria que foi destituída no ano passado, depois da intervenção.


Reprodução: O GLOBO

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Justiça decreta prisão preventiva de responsável por gerir recursos do Postalis

Ex-presidente da BNY Mellon é apontado como responsável por operações que geraram prejuízos no fundo de pensão dos Correios. BNY diz que está 'cooperando integralmente' com autoridades.

Justiça Federal do Distrito Federal autorizou a prisão preventiva do ex-presidente do BNY Mellon José Carlos Lopes Xavier de Oliveira. Ele é apontado por investigadores da Polícia Federal (PF) como um dos principais responsáveis pela operação que gerou desvios no Postalis, fundo de pensão dos Correios, e prejuízo aos funcionários da estatal. A BNY Mellon é uma companhia de investimentos.

Ainda não há informações sobre o cumprimento do mandado de prisão. Investigadores afirmaram que Oliveira pode estar fora do país. Até a última atualização dessa reportagem, o G1 buscava contato com a defesa de Oliveira.

A assessoria de imprensa da BNY Mellon disse que a empresa está "cooperando integralmente com as autoridades".

O BNY Mellon administrava os investimentos do Postalis e foi contratado pelo fundo justamente para proteger suas aplicações. A suspeita é que Oliveira autorizava e viabilizava operações consideradas criminosas para beneficiar empresas como a de seu ex-sócio, Arthur Mario Pinheiro Machado. Os investigadores não descartam que Machado possa ter repassado propina ao ex-presidente do BNY Mellon.

As investigações apontam que o Postalis aplicou em empresas geridas pelo próprio BNY Mellon, em valores superestimados ao mesmo tempo que controlava os investimentos.

Fraude no Postalis

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (1º) operação para esclarecer suposta atuação de uma organização criminosa especializada no desvio de recursos previdenciários do Postalis (Instituto de Seguridade Social dos Correios e Telégrafos), fundo de pensão dos funcionários dos Correios.

Segundo a Polícia Federal, a má gestão dos recursos e os desvios investigados geraram déficit de aproximadamente R$ 6 bilhões.

Milton Lyra, apontado como operador político de senadores do PMDB, é alvo de busca, além de ex-gestores do Postalis. Ex-líder do governo Dilma Rousseff no Senado, o senador cassado Delcídio do Amaral afirmou aos investigadores, em sua delação premiada, que Milton Lyra era o operador de diversos políticos do PMDB e que tinha influência no Postalis. Milton Lyra afirma que "não é e nunca foi intermediário do repasse de qualquer quantia a congressistas".

A PF programou ações para durarem 48 horas, a partir da deflagração da operação, em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Alagoas. A previsão é de cumprimento de 100 mandados judiciais de busca e apreensão, por 62 equipes policiais. Não houve prisões.

Entre os alvos das medidas judiciais há empresários em suposta articulação com gestores do fundo de pensão, além de dirigentes de instituição financeira internacional. Também serão alvos dos policiais federais empresas com títulos em bolsas de valores e instituições de avaliação de risco.

A Operação Pausare é resultado de um conjunto de auditorias de órgãos de controle. As fiscalizações, enviadas ao Ministério Público Federal, identificaram má gestão, irregularidades e impropriedades na aplicação dos recursos do Postalis. A PF investiga agora as repercussões criminais da atuação desse grupo de pessoas no desvio de recursos do fundo.

Segundo a PF, o nome da operação faz referência ao verbo latino pauso, que significa fazer uma pausa, descansar, usado para batizar a operação no sentido de aposentadoria.

 

Reprodução: G1

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Postalis: eleições tem nova data

 

O processo eleitoral do Postalis tem nova data. Entre os dias 27 de julho e 7 de agosto, os trabalhadores poderão eleger os componentes do Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal e, pela primeira vez, o Diretor de Benefícios do Fundo. O processo deste ano havia sido anulado no inicio de junho pelo Conselho Deliberativo.

Além da possibilidade de renovação do Postalis, com os trabalhadores podendo compor os Conselhos, este ano as senhas também serão enviadas impressas e não apenas por mensagem de celular, graças às denúncias feitas pelos representantes dos Ecetistas.

A lista definitiva dos candidatos será publicada no dia 19 de julho e o resultado oficial das eleições do Postalis será anunciado no dia 17 de agosto.

Saiba mais no site do Postalis.

*Com informações do Postalis e FENTECT

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André Motta deixa presidência do Postalis

Reprodução: Postalis

O então presidente do Postalis, André Motta, deixou o cargo na última sexta-feira, dia 16 de junho. De acordo com o Fundo de Pensão dos trabalhadores dos Correios, ele já vinha negociando sua saída há três meses por motivos pessoais.

Entretanto, a saída de André Motta se deu meses antes do Postalis divulgar os resultados consolidados de 2016, quando o valor do rombo deve ser atualizado.

O novo presidente do Fundo deverá ser indicado pelos Correios nos próximos meses. Enquanto os Correios n, o Postalis está sendo presidido interinamente por Christian Schneider, diretor de investimento.

Com informações do Postalis e Uol Economia

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Procuradoria denuncia quatro por fraude fiscal no esquema Postalis

O grupo teria atuado para ocultar a origem de recursos desviados do fundo de pensão dos Correios entre 2006 e 2011

O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou quatro investigados pelos crimes de lavagem de dinheiro e fraude fiscal no esquema Postalis. O grupo teria atuado para ocultar a origem de recursos desviados do fundo de pensão dos Correios entre 2006 e 2011.

Esta é a segunda denúncia do Ministério Público Federal contra envolvidos no esquema que causou rombo superior a US$ 140 milhões aos cofres do instituto de previdência complementar dos Correios. O empresário Fabrizio Dulcetti Neves é apontado pela Procuradoria da República como o "mentor do esquema".

"Os desvios se basearam no superfaturamento de títulos negociados no mercado de capitais. A transação dos ativos se dava por meio de duas corretoras sediadas nos Estados Unidos, que adquiriam os papéis no mercado internacional e os revendiam a fundos ligados ao Postalis por preços muito acima dos valores reais. O esquema utilizava uma série de offshores, muitas delas pertencentes a sócios da Atlântica Administração de Recursos, empresa de Fabrizio responsável pela gestão dos fundos no Brasil", aponta a Procuradoria da República.

Segundo os investigadores, Fabrizio Neves, a partir de negociações fraudulentas, recebia recursos desviados título de comissões.

"Para omitir a ilegalidade dessas quantias, utilizou-se de contas bancárias de parentes e forjou doações, empréstimos e aquisições de bens. Entre essas operações está a compra de um apartamento no bairro do Ibirapuera, zona sul de São Paulo, em 2011. O imóvel teve valor declarado de R$ 4 milhões, mas valia até quatro vezes mais, segundo apuração à época", afirma o Ministério Público Federal.

A Procuradoria aponta que o empresário e sua mulher, Laura Neves, simularam uma troca para adquirir o apartamento. "Na tentativa de mascarar a origem dos recursos e evitar problemas com a Receita Federal, diz a denúncia, o casal comprou dois imóveis - cada um avaliado em R$ 2 milhões -, fez a permuta pela unidade da zona sul e a transferiu para as duas filhas". Todas as transações, de acordo com a Procuradoria, foram feitas no mesmo dia, 6 de maio de 2011.

"Há fortes indícios de que a diferença entre o valor declarado e o real tenha sido paga no exterior por meio de offshores", diz nota do Ministério Público Federal.

Segundo a Procuradoria, até 2011, Fabrizio recebia as quantias por meio de contas bancárias vinculadas à esposa e à sogra, Mercedes Serruya Monteiro.

"As investigações demonstraram que Mercedes, além de ser proprietária de uma das offshores utilizadas no superfaturamento dos títulos, realizou pelo menos duas transferências para o genro. Já Laura Neves, embora não tenha feito aportes financeiros ao marido, recebeu, em nome dele, parte dos recursos ilegais transferidos por uma das corretoras envolvidas no esquema e foi beneficiária direta dos desvios", relata a Procuradoria.

O Ministério Público Federal registra que "após as autoridades norte-americanas constatarem as fraudes praticadas pela Atlântica, em 2010, Fabrizio passou a simular operações financeiras para ocultar a origem ilícita do dinheiro".

"Além do apartamento adquirido em 2011, ele forjou transferências e doações envolvendo a própria empresa e familiares. Duas dessas transações tiveram a participação de sua cunhada, Rayanna Serruya Monteiro, e de Mercedes. Em 2012, elas declararam à Receita ter concedido ao empresário, no ano anterior, empréstimos de R$ 250 mil e R$ 750 mil, respectivamente. Os repasses nunca ocorreram, mas Fabrizio fez com que o fato fosse informado na declaração de rendimentos de ambas para justificar às autoridades o aumento de seu patrimônio", aponta a denúncia.

Fabrizio, Laura e Mercedes devem responder por lavagem de dinheiro. Os três constam também da primeira denúncia, acusados por condutas como organização criminosa e apropriação ilegal de recursos financeiros. Rayanna foi denunciada por lavagem de dinheiro e fraude fiscal, crime atribuído também ao empresário e a sua sogra devido ao registro de informações falsas em declarações de imposto de renda para mascarar a ilicitude dos recursos.

Reprodução: Correio Braziliense

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Sindicato realizará seminário para esclarecer dúvidas sobre o Postalis

Visando auxiliar e facilitar a tomada de decisão de todos os trabalhadores, o SINTECT-GO promove no dia 30 de abril, o Seminário “Postalis”. O evento será realizado a partir das 8h30 na sede da CUT/GO, localizada na R. 70, 661, Qd.127 Lt. 71, Setor Central, Goiânia – GO. O evento é aberto a todos os trabalhadores interessados.

O Seminário contará com a presença da presidente da ANAPAR, Cláudia Ricaldoni, além de técnicos da Associação, e da advogada do Sindicato, Gizeli Costa, que responderão os diversos questionamentos relativos ao Postalis.

Durante o seminário, o trabalhador saberá como calcular o valor do seu benefício, e terá as informações necessárias para decidir se fica ou se desliga do Fundo, em função da cobrança da nova contribuição extraordinária de 17,92% sobre o benefício proporcional saldado.

 

Autoria: Laryssa Machado - Assessoria de Comunicação SINTECT-GO

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CPI dos Fundos de Pensão vai começar a analisar o relatório final

Parecer começa a ser analisado nesta segunda (11) e deve reforçar que houve fraude e má gestão no fundo dos funcionários do Correios.

 

Nesta segunda-feira (11), a CPI dos Fundos de Pensão começa a analisar o relatório final. O parecer deve reforçar que houve fraude e má gestão no fundo que administra os recursos dos funcionários dos Correios. Só nesse caso o prejuízo ultrapassa os R$ 100 milhões.

É o fundo Postalis, que está entre os 15 maiores do Brasil em volume de recursos. A Polícia Federal já indiciou o ex-presidente, um ex-diretor do fundo e mais cinco pessoas por gestão fraudulenta, apropriação indébita no sistema financeiro e lavagem de dinheiro.

A definição é do próprio Postalis: o fundo de pensão existe para contribuir com "uma melhor qualidade de vida e um futuro mais tranquilo para os funcionários dos Correios". Mas a Polícia Federal concluiu que o fundo tem administrado mal o dinheiro desses trabalhadores. Os investimentos errados - e caros - geraram prejuízo milionário. 

Entre 2006 a 2008, o Postalis investiu mais de R$ 371 milhões em dois fundos. Uma corretora americana comprava títulos de investimento, revendia por valor maior para empresas dos investigados e os dois fundos onde o Postalis investiu compravam os títulos mais caros. Ou seja, o Postalis pagou um preço 60% maior que o de mercado.

O Bom Dia Brasil teve acesso ao relatório da Polícia Federal que concluiu que o excedente cobrado foi de US$ 16 milhões nas operações, E ainda houve pagamentos, sem justificativa, de taxas de corretagem de US$ 12 milhões.

A Polícia Federal indiciou dois ex-dirigentes do Postalis: o ex-presidente Alexej Predtechensky e o ex-diretor Florêncio da Costa. Considerou que eles tinham o dever de fiscalizar as operações do fundo, o que não fizeram. E mais cinco pessoas ligadas aos gestores dos fundos. Os crimes são: gestão fraudulenta, apropriação indébita no sistema financeiro e lavagem de dinheiro.

Em dezembro do ano passado, a Polícia Federal pediu a prisão de Fabrizio Neves, dono da empresa que geriu os fundos que geraram o prejuízo ao Postalis. Segundo a PF, ele estava na Espanha e teve o nome incluído na lista vermelha de procurados internacionais da Interpol. Semanas depois, o pedido de prisão foi revogado pela Justiça.

Nesta segunda (11), a CPI dos Fundos de Pensão, que também investiga o caso, começa a analisar o relatório final. O parecer deve reforçar a dimensão da fraude e a má gestão dos ex-dirigentes do Postalis, fundo que está entre os maiores do Brasil em volume de recursos.

O advogado de Alexej Predtechensky disse que as acusações não possuem embasamento. A defesa também negou que Predtechensky tenha praticado irregularidades enquanto esteve na presidência do fundo Postalis e afirmou que vai contestar o relatório da Polícia Federal.

O Bom Dia Brasil não conseguiu contato com o ex-diretor Florêncio da Costa e com o empresário Fabrizio Neves.

 

Assista a reportagem do Bom Dia Brasil aqui.

Reprodução: Bom Dia Brasil

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Mesmo com três votos contrários, equacionamento do Postalis é aprovado esta semana

Conselheiros que representam a categoria argumentam sobre a não responsabilidade na RTSA e no desvio de verba do fundo

Nessa quarta-feira (23), o três conselheiros representantes dos trabalhadores, José Rivaldo, Sérgio Bleasby e Manoel Santana votaram contra o equacionamento do déficit do fundo de pensão dos ecetistas, o Postalis, contra três votos favoráveis indicados pela patrocinadora, a ECT, durante a 6ª Reunião Extraordinária do Conselho Deliberativo do Instituto. No entanto, com o empate, foi lançado o voto de minerva do presidente do Conselho Deliberativo favorável à taxa de 17,920% para equacionamento do déficit do Plano PBD saldado de 2014, que será cobrada a partir do mês de maio deste ano sobre o benefício proporcional saldado.

O secretário-geral da FENTECT, José Rivaldo, enfatizou que os representantes dos trabalhadores no conselho não coadunam com a possibilidade de oneração aos participantes do Postalis, com a implementação de contribuição extraordinária. "Os números apresentados demonstram elevado valor de investimentos provisionados, sendo que alguns ainda estão em fase de cobrança, e da RTSA, cuja dívida é responsabilidade dos Correios. Parte desses valores podem ser recuperados", alegou.

Para os conselheiros, entre as razões para o voto contrário ao equacionamento está a questão formal, já que o Postalis, com a nova decisão, não cumpre o artigo 30 da resolução da CGPC, que determina que o pagamento do déficit técnico acumulado seja aplicado para o exercício subsequente ao da aprovação. Trata-se de um plano extremamente grave à vida financeira dos participantes e assistidos. A aprovação chega como uma surpresa desagradável, além de ser ilegal o prazo estipulado.

Destacam, ainda, interferência da PREVIC na decisão e indaga a competência da instituição para alterar e ignorar uma norma prevista, oficializada. Com isso, solicitou que o plano de equacionamento seja instituído à risca, conforme disposto na resolução, e passe a valer apenas a partir de 2017.

Os valores dos percentuais das contribuições extraordinárias dos participantes ativos, as quais incidirão sobre os salários de participação, deverão ser apurados individualmente, até que seja concluída alteração no artigo 16 do Regulamento do Plano de Benefícios.

RTSA
Na explanação sobre os pontos contrários, para os conselheiros ecetistas não há dúvidas de que valores referentes à RTSA devem ser repassados pela empresa ao Postalis. Está claro que o pagamento assumido pela ECT e pago regularmente durante determinado tempo, passou a ser contestado por interesse próprio e imposição do Tesouro Nacional e a empresa tenta impor aos participantes e assistidos a referida conta. Os ônus atuarias e econômicos decorrentes do saldamento do plano, decidido e imposto unilateralmente pelos Correios, deve, então, ser arcados pela empresa.

A culpa não é dos trabalhadores
"Há investimentos que são fora da curva. Os do Postalis são fora do gráfico", essa foi a afirmação do diretor financeiro do fundo a respeito do saqueamento indevido de ex-dirigentes e agentes externos na verba do Postalis. Aos participantes e assistidos não cabe a culpa e responsabilidade, porém, sim à patrocinadora, pela falha na investigação, aos agentes de mercado, pelo exercício ineficiente na função. Aos trabalhadores, presume-se participação no ônus apenas em caso de alteração na tábua de mortalidade, desempenho negativo dos ativos efeitos naturais de mercado, entre outros.

Manoel Santana reforçou que a responsabilidade pelo déficit gerado ao Postalis é exclusiva dos Correios, patrocinador do Plano de Benefício. Além disso, relembrou que os participantes não têm representantes na Diretoria Executiva do fundo de pensão e, por isso, não podem ser penalizados. Ele acrescenta que, embora o esforço da FENTECT tenha possibilitado a democratização do Postalis, com a alteração no estatuto, em 2015, - haverá, então, dois diretores por parte dos trabalhadores na Diretoria Executiva, divididos em Diretoria de Benefícios e Diretoria Administrativo-Financeira - o presidente e o diretor de investimentos ainda são escolhidos pela ECT.

"Inclusive, recomendamos que a Diretoria Executiva adote estudos para possível ação em desfavor dos Correios, para determinar que o déficit seja custeado em sua totalidade pela própria ECT", sugeriu o secretário-geral da FENTECT e conselheiro, José Rivaldo.

Reprodução: FENTECT

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Postalis quer reduzir aposentadorias em 18%

BRASÍLIA - O rombo acumulado do Postalis (fundo de pensão dos funcionários dos Correios) atingiu R$ 7 bilhões em 2015 e já representa mais da metade dos recursos necessários para honrar todas as aposentadorias atuais e futuras, se esse montante fosse trazido a valores de hoje. O fundo teria de ter R$ 11 bilhões para cobrir suas metas atuariais, pelo menos. Diante do buraco, a entidade e os Correios querem que os participantes paguem uma contribuição adicional de 17,92% por 23 anos para cobrir boa parte dos rombos anuais, registrados seguidamente desde 2012. Pela proposta, os aposentados terão, na prática, redução de quase 18% no valor de benefício no contracheque de maio. Quem está na ativa passará a recolher a mais o mesmo percentual.

A proposta será discutida na reunião do conselho deliberativo do Postalis, hoje, e tudo indica que os conselheiros eleitos pelos trabalhadores votarão contra. Diante do impasse, a decisão pode ser adiada para o fim deste mês. Este é o prazo limite dado pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), órgão que fiscaliza os fundos de pensão.

O Postalis é, hoje, a maior dor de cabeça para o governo, dado o tamanho do desequilíbrio. Se as partes não encontrarem uma solução, a Previc poderá ser obrigada a intervir no fundo, como prevê a legislação. Caso isso ocorra, a intenção, segundo um interlocutor, é encontrar uma alternativa para evitar a liquidação do plano — o que atingiria um universo de 100 mil trabalhadores. Por enquanto, prevalece o entendimento de que o fundo tem tempo para acumular recursos e se recuperar, pois há um contingente elevado de participantes na ativa.

— Esperamos que a patrocinadora (Correios) e a entidade cheguem a um acordo sobre o plano para equacionar o déficit — disse uma fonte do governo.

De acordo com a proposta da diretoria do Postalis, os trabalhadores dividirão uma conta de R$ 6,77 bilhões, resultado negativo acumulado até 2014. O déficit de 2015 não fará parte do plano de equacionamento, o que significa que a conta para os trabalhadores ficará mais salgada a partir do cálculo de 2016.

— Não concordamos em pagar mais, porque o governo e a patrocinadora indicaram as pessoas para administrar o fundo. Agora, querem deixar a conta do prejuízo para nós. Se for o caso, vamos entrar na Justiça — disse José Roberto de Santana Neto, funcionário dos Correios.

 

FUNDO É INVESTIGADO NA LAVA-JATO

Alvo da Operação Lava-Jato, o Postalis está na mira do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e da CPI dos fundos de pensão. Parte do rombo pode ser atribuída a aplicações malsucedidas, como a compra de papéis da dívida da Argentina e da Venezuela, que viraram pó, e de fundos de investimentos que geraram prejuízos milionários. A atual direção da entidade entrou com ações contra o banco responsável (Bank of New York Mellon), na tentativa de recuperar R$ 2,2 bilhões.

Além do Postalis, o Portus (dos trabalhadores das companhias Docas), que já está sob intervenção da Previc, corre o risco de ser liquidado, diante da situação financeira grave: com quase dez mil participantes, o fundo acumula déficit de R$ 3,6 bilhões, que representa 97% dos recursos necessários para honrar seus compromissos. Também estão sob intervenção federal o Serpros (dos funcionários do Serpro) e a Capaf (dos trabalhadores do Banco da Amazônia — Basa).

A situação crítica não se restringe aos pequenos fundos. Os grandes, como Previ (dos funcionários do Banco do Brasil) e Funcef (da Caixa Econômica Federal) também estão sendo monitorados. Na Funcef, as partes fecharam um plano para equacionar parte do rombo de R$ 5 bilhões, com a contribuição adicional de 2,78% para os participantes a partir de maio.


Reprodução: Extra

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